Tudo começou quando eu devia ter uns 4, 5 anos. Não tenho muita lembrança da idade, mas do fato sim, infelizmente! Costumava brincar com um vizinho, que chamarei de Pedro. Brincávamos todas as manhãs, pois estudávamos no período da tarde. Um certo dia, deitada em uma rede, ele se aproximou de mim. Deitou na rede e ficou por ali, dizendo que éramos marido e mulher e que ele gostaria que eu fizesse algo nele. De repente, colocou o seu pintinho para fora. Assustada, perguntei o que era aquilo e ele imediatamente colocou a minha mãozinha pequena lá. Foi desesperador! Lembro exatamente de ter mirado a rede, de cor verde e de ter tirado a mão dali. Saí da rede e mandei ele ir embora da minha casa. Minha avó, que na época estava conosco para cuidar de mim, ficou horrorizada quando gritei que não queria mais ver o Pedro na minha casa. E nem na minha vida, se possível! Acontece que infelizmente éramos vizinhos, e o medo, que desde este momento foi sentimento constante em minha vida, não me permitiu contar o que tinha acontecido. O fato ficou reprimido, não quis lembrar. Devo dizer, antes de continuar, que fui criada em um lar repleto de amor, compreensão, respeito mútuo. Tenho pais maravilhosos, a quem um dia gostaria de poder contar tudo isso, sem medo do resultado da revelação. Eles são e sempre serão os amores da minha vida!
O tempo passou, o fato ficou em algum lugar da minha cabeça e eu fui seguindo uma vida normal. Mas completei seis anos... E o abuso veio de onde eu menos esperava. Da minha casa! Vez ou outra viajava ao interior onde moram os meus parentes maternos. Um dos meus irmãos, aparentava não gostar muito de mim pelo fato de eu ser a única menina entre três filhos da mamãe, e ser um pouco mimada por minha vovó. Certa noite, ao deitar na minha caminha reservada, sinto que alguém se enfia embaixo dos meus lençóis e me manda ficar em silêncio. Era o próprio! Assustada, perguntei o que ele estava fazendo ali, mas não obtive respostas. Bem, se a mão dele em minha genitália e seios, que ainda nem desenvolvidos eram, fosse uma resposta, ali estava ela! Fui bolinada por dois dias, enquanto estive ali. Ele me dizia que se eu contasse para alguém, ele iria me bater muito até eu sangrar. Quanto amor, né?! Não tive coragem de contar a ninguém. Hoje, quase vinte anos depois, me abri para a minha psicóloga e consigo ter paz ao lembrar disso. Houve um processo chamado ressignificação, segundo ela. Não me perturba mais, apesar de ainda trazer certa dor. De qualquer forma, parecia que eles, tanto o Pedro quanto o meu irmão, estavam me abrindo para algo ainda pior: um abuso que durou DOZE ANOS! Esse fica para o próximo post. A borboletinha precisa voar um pouco para conseguir abrir essa parte tão difícil de sua evolução.


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